De menina à mulher

17 julho 2012


Eu era apenas um menina que achava que poderia mudar o mundo. Como se sempre bastasse boa vontade para resolver os problemas. Uma menina.
Jamais apostaria na nossa aproximação, pois não acreditava que pudessemos dar certo. Para mim, a gente nem combinava. Eu estava enganada. De pouco em pouco, a cada conversa, cada olhar você foi me conquistando.
Você me ganhou. 

O jeito com que você mexia no meu cabelo, e falava no meu ouvido era perfeito. Como em um filme ou um romance de Nicolas Sparks. Do seu lado eu me sentia segura e ao mesmo tempo desarmada. Seu abraço era ideal. Sua personalidade me encantava. Engraçado na medida, sério quando necessário. Daqueles que abrem a porta e puxam cadeira em um gesto de cavalheirismo, algo que pensei que não existia mais. Você era tudo isso. Era o meu tudo. Tudo o que eu poderia querer naquele momento.

Fui sentindo que você se afastava e quando estava comigo não estava completo, de corpo e alma. Eu pensei positivo e achei que era apensa estresse e cansaço, e que tudo iria se resolver.
Marcamos de nos encontrar pois eu precisava me abrir e falar o que eu estava sentindo, do contrario iria explodir. Parecia que eu estava adivinhando. Talvez fosse meu subconsciente me alertando de algo que eu não queria ver.

Você estacionou o carro  em uma rua paralela. Chovia e fazia muito frio. Respirei fundo e entrei. Lá estava você. Com um semblante que por uma fração de segundo me intimidou. O silêncio tomava conta. Respirei fundo de novo e comecei meu discurso. Fiquei desprotegida e em suas mãos quando disse que havia me apaixonado. Depois de um breve silêncio você abriu a boca e me enfiou uma faca por entre os rins. Doeu.
Você falava como se não se importasse comigo e isso me assustou. Lágrimas desciam pelo meu rosto e não eram lágrimas de uma menina sofrendo. Era um choro de uma mulher tomada pela raiva.
Os últimos meses foram uma farsa? Me senti confusa e frustrada. Enganada. Naquele momento eu fiquei ciente do seu egoísmo e percebi que você nunca se preocupou o bastante comigo. Sem nem ligar para as minhas lágrimas, me pediu para sair pois tinha um compromisso. Eu queria que o seu compromisso explodisse junto com você. Não aguentava mais ficar na sua presença e a raiva tomava conta de mim. Saí. Fiquei observando conforme o carro desaparecia no horizonte.
Nunca alguém havia me deixado sozinha.

Era algo além de sofrer por amor. Eu estava decepcionada por não ter percebido antes. Ainda hoje me pergunto se era possível perceber sua displicência.
Ali, naquele momento, enquanto eu ainda me recompunha do nosso último encontro, aquela menina que estava apaixonada por você morreu e dela nasceu uma mulher pronta para superar e seguir em frente.

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